
"Quando você passa
eu sinto seu Cheiro"
Me Abraça - Banda Eva
Eu nunca gostei muito de me meter na vida das pessoas, especialmente quando o assunto é a vida higiênica. Mas quando a higiene alheia, ou falta dela, me afeta diretamente, estou no direito de falar, sim, do cecê dos outros!
Penso assim: se você não quer ser limpinho, tudo bem, não seja. Mas se vai usar transporte público e, principalmente, se vai segurar naqueles ferros que ficam na parte de cima do ônibus, por consideração ao nariz alheio, use o desodorante.
Sou baixinha e qualquer pessoa que tenha uma estatura média, com os braços levantados, fica com o sovaco na reta do meu nariz. Nessas condições, andar em qualquer transporte público se torna desumano, certo?
Certíssimo. Ontem tive a prova disso, quando andei da Barra até Copacabana com um suvaco cecezento praticamente roçando no meu nariz. Era um misto de cheiro de azedo com cheiro de cebola e cada movimento que o dono do suvaco fazia, parecia que o cheiro subia, ficando mais forte. Tentei disfarçar, tampava o nariz com o braço, coçava, virava pro lado, mas não havia nada que, pelo menos, amenizasse aquele tormento particular. Particular eu disse? Foi o que pensei, até q notei que havia algumas pessoas se entreolhando com cara de “Céus, que fedor”. Não sei se chegou a ser um alívio perceber que eu não era a única sofrendo, mas foi reconfortante poder dividir alguns olhares com o resto das pessoas. Olhares do tipo “Amigo, também to sentindo! Força ai!”
Minha vontade era segurar o rapaz pelos braços, juntá-los junto ao corpo e dizer “Filhinho, qual o seu problema com o desodorante? Por que não usá-lo?”
Num ato de desespero, sentei no chão da área reservada para cadeira de rodas, saindo assim da linha de tiro. Nossa, acho q nunca, em toda minha vida, senti um ar tão puro como aquele.
Na hora de sair de dentro do ônibus, foi uma luta pra ver quem saía primeiro: nós, sofredores de narizes, ou ele, o cecezento que nos fez sofrer durante longos 50 minutos de viagem. No fim das contas, ele nos derrotou e saiu por ai desfilando sua inhaca pelos vagões do metrô. E assim terminou uma traumatizante viagem no ônibus do metrô.



