
"Você já me esqueceu
E a madrugada fria agora vem dizer
Que eu já não passo de nada pra você
Você já me esqueceu"Você já me Esqueceu - Fernanda takai *
Você e o menininho se conhecem, se conquistam e, depois de todo aquele processo de conversas, beijos, saídas, acabam se gostando. Pelo menos é isso que acontece com você e, por dedução, é o que você pode jurar que está acontecendo com ele também, certo?
Erradíssimo. De repente, não mais que de repente, você leva um belo pé na bunda, daqueles que te derrubam lindamente. Daqueles que tornam seu travesseiro e sua cama seus melhores amigos.
Ai, o que vem depois de um pé na bunda? A inevitável fossa. Tudo fica cinza, os casais felizes se multiplicam pela rua, te deixando muito pior que o que você já está – sim, é sempre possível ficar pior. A saudade vem com tudo nos piores momentos e qualquer música que fale de amor, desamor, ou ex amor, se encaixa perfeitamente com o seu momento.
Eu, durante minha fase fossa, passei por diversos estágios. Desde a negação, até o alívio, passando pelos micos. O que seria da minha vida sem os micos...
Primeiro estágio é a negação, né? Ouvir que ele não te quer mais é péssimo e você se recusa a acreditar que isso esteja acontecendo. Como assim? Para você tava tão legal. O que será que desandou? Por que isso foi acontecer? O dia seguinte ao fora é o pior: vc reza para que o telefone toque, o email chegue, o interfone faça barulho... Qualquer coisa que o faça dizer que pensou bem e se arrependeu do que disse. Você liga para suas amigas chorando contando o que houve e elas só dizem uma coisa: “Lu, ele é um merda que não soube ver seu valor”. Às vezes eu queria muito ter esse valor todo que meus amigos dizem ver em mim.
Depois disso, vem a fase “Está tudo bem! Nada me abala, nem um menino qualquer!” Não preciso nem dizer que não é bem assim, né? Até porque ele não é um menino qualquer, nem isso é pouca coisa. Você gostou dele, conviveu durante um tempo e tudo o que vocês faziam faz falta. Desde as conversas interessantes até a cervejinha acompanhada de um verdadeiro papo de botequim. Mais uma vez você liga triste pras suas amigas (dessa vez sem choro, porque nada te abala) e lá vem a frase: “Lu, ele é um merda que não soube aproveitar a mulher maravilhosa que estava ao lado dele.”
Quando finalmente você jura que, agora sim, está tudo superado, você pode falar sobre ele, lembrar dele, até mesmo ver fotos de uma época muito bacana, quando vocês estavam no auge do entrosamento, vem a pior coisa que poderia acontecer: o reencontro.
Várias coisas passam na sua cabeça antes desse encontro (tô bonita? tô feia? tô gorda? tô magra? tô legal? tô cheirosa? ) Você tenta fingir que não é nada demais, mas, ao mesmo tempo, alguma coisa te mata por dentro. Uma coisa é você ouvir do carinha que ele não te quer mais. Outra coisa muito diferente e beeeem pior é perceber, com fatos, que ele não te quer mais mesmo.
Nessa hora, o que você faz? Liga para as amigas, não chorando, mas no auge da tristeza. O que elas dizem? “Lu, ele é um merda que, além de não saber te dar o valor que você merece, ainda te deixa triste assim. Vai conhecer outra pessoa que valha a pena”
Depois disso, você finalmente percebe que o afastamento, naquele momento, será o melhor para você. Sem emails, mensagens de texto, sem conversas por MSN, nada. Qualquer notícia sobre ele é bloqueada. Vamos esquecer, pelo menos por um tempo, que ele existe. Dar um tempo pra mim e pra minha tristeza.
Nesse momento, a saudade dele só aumenta. Não dele como homem, mas como mais uma companhia. Afinal durante um bom tempo era com ele que você saía, com ele que você ia pro bar, com ele que você mais conversava. E é só disso que você sente falta agora.
E é nesse momento também que você descobre que já existe uma outra pessoa na vida dele.
Não que você duvidasse que isso fosse acontecer, mas esperava ter tido uma importância maior na vida dele e ele sentisse um pouco mais de saudade... Mas ai, ó, não tem jeito... Ela já está com ele e você ainda sofre.
Você liga para suas amigas chateada e elas dizem: “Lu, é ele um merda que precisou de alguém do lado dele pra preencher o espaço que você deixou” Ah, como minhas amigas me amam... Dizem cada coisa pra me deixar melhorzinha.
É nessa hora que os micos começam a surgir.
Chorar no meio de um show, na frente de pessoas que você mal conhece por que a música fala de um relacionamento que chegou ao fim, chorar no ônibus porque você simplesmente lembrou que era quarta, dia de ir ao cinema. Chorar na hora que você passa pela rua dele porque se deu conta que nunca mais irá na casa dele, ficar naquele janelão.
Soube na época do lançamento da música de trabalho da Fernanda Takai, “Você já Me Esqueceu”, que ele já estava com outra. Não poderia rolar identificação maior com uma música certo? Época de lançamento de música de trabalho numa gravadora é época de ouvir infinitas vezes a mesma música por dias seguidos. Não houve tortura maior que essa pra mim. Ouvir dias seguidos, vezes seguidas a música que me fazia lembrar meu “ex amor”. Criei até a expressão “Fernanda takaizar” para dizer que estava triste ouvindo a música. E durante o pré lançamento da música Fernanda takaizei muito. Inclusive na frente dela. Esse foi meu maior mico. Calma, eu explico: estive frente a frente com a Takai num evento que fomos fazer da gravadora. A música estava tocando ao fundo e eu comentei que já tinha chorado muito com ela. Contei a história resumida e ela, fofa, resolveu cantar essa música voz e violão pra mim. Nossa, foi ela chegar no refrão e eu abrir o berreiro. Descobri que aquilo não tava tão superado assim.
Saí do evento Fernanda takaizando e liguei pras amigas que mais uma vez disseram: “Lu, ele é um merda que tá até interferindo no seu trabalho”
Depois de um tempo, eu não me permiti mais ficar mal por alguém. Penso que ninguém vale minha tristeza. Se não me quer, não me merece, então!
O tempo passou, a dor acabou, a tristeza já não existe mais. A saudade sim, mas não dele e sim da época boa que estivemos juntos. Saudade boa, que deixa lembranças que vou levar pra sempre. Hoje, as únicas coisas que desejo são: felicidades pra ele e pra ela, que até parecem que se combinam juntos. Desejava também que fossemos amigos, nos falássemos com a mesma freqüência que falo com outros amigos, que tivéssemos a liberdade de ir tomar uma cervejinha gelada pra bater um papo e espantar o calor. Não sinto essa abertura da parte dele.
Talvez por isso, e SÓ por isso, eu concorde com minhas amigas: ele é um merda. Não por não me querer ao lado dele, não por não conhecer meu valor, ou porque já está com outra pessoa. Mas por não aceitar o que de melhor eu poderia oferecer. Não, não foram meus beijos, abraços e amassos. Ofereci minha amizade e ele simplesmente não aceitou...
* A música é de autoria do Fred Jorge, mas creditei a Fernanda Takai, por motivos citados a cima.